Murilo Resende

 
Sou Murilo Resende Ferreira. Aos 15 anos resolvi que era um ateu convicto, após devorar Richard Dawkins e Carl Sagan. Para melhorar a situação, ainda descobri uma brilhante utopia: o transhumanismo e a era das máquinas espirituais. Aos 17, tinha todas as certezas do mundo e nada na cabeça. Em 2000, aos 18 anos, deparei-me com os artigos de Olavo de Carvalho na Revista Época, que me causaram estranheza pelo tom de autoridade e maestria. Esse mistério me fez comprar um livro de sugestivo título: O Jardim das Aflições. Desde então, não tenho muitas certezas, mas estou certo que algo entrou em minha cabeça, ou, o que é ainda melhor: saí de minha cabeça e descobri o mundo. Entendi que a religião era um fenômeno universal e necessário: o homem antes parecia caminhar para a terrível consumação dos tempos da Revelação cristã do que para uma utopia tecnológica. Também entendi que a compreensão do passado exigia décadas de estudo e de absorção da alta cultura universal, entremeadas por reflexões angustiantes e paralisantes. Devorei a obra de Olavo de Carvalho, que me preservou de meu fanatismo original pelas idéias libertárias da Escola Austríaca de Mises e Rothbard. Segui a trilha de uma nota de rodapé do Jardim das Aflições e descobri um mundo: a brilhante explicação de F.W.J Schelling sobre a unidade da filosofia da mitologia e da filosofia da revelação. Aprendi com Eric Voegelin e Olavo de Carvalho que todas as ideologias mortíferas da modernidade remontavam a antigas heresias cristãs: um pequeno erro no começo... Na caminhada oficial, tornei-me um egresso da Escolas de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e Doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Pude então compreender em detalhe o ponto cego de toda a economia moderna: a história da moeda e dos bancos. História essa que nos mostra a emergência de um sistema financeiro fundamentado na obscuridade e em uma capacidade quase que ilimitada de criação de crédito. Entendi que aí estava um dos pontos centrais da concentração crescente do Poder como explicado pelo cientista político Bertrand de Jouvenel e do estranho sistema global de poder que se erguia aos olhos de todos. Mas, acima de tudo, debati e tentei explicar esses problemas e questões aos bons amigos. E, graças a Deus. em cada momento de minha vida ao menos um bom amigo teve a paciência de ouvir minhas tímidas tentativas de compreensão e domínio racional de tantas idéias, percepções e linhas de estudo. O maior amigo de todos, o professor Olavo de Carvalho, teve sempre uma presença virtual nesse processo, mas a mais forte de todas: só que nessa conversa eu tinha e ainda tenho muito pouco a dizer. O seu Curso Online de Filosofia, iniciado em 2009, e contando já com mais de 400 aulas, foi o ponto central para meu amadurecimento intelectual. Foram realmente nessas conversas (reais ou virtuais) que descobri uma vocação: o diálogo incessante, a tentativa sincera de duas almas que, por mais toscas que sejam, buscam uma luz além dos interesses mesquinhos por ascensão social e pequenos prazeres. Tenho certeza que conquistei algo nesse processo e que é isso que hoje me permite realmente exercer a vocação de professor, muito mais do que os títulos e as leituras, meros materiais para a verdadeira atividade do espírito. Os cursos a serem lançado nesta página serão fruto desses anos de aprendizado e dos muitos que ainda estão por vir. Convido os interessados a se tornarem acima de tudo novos participantes desse diálogo.